Na revista Época, edição de agosto/2011, saiu uma reportagem sobre a exportação de serviços na área de Tecnologia da Informação por empresas brasileiras. O Brasil está se tornando cada vez mais competitivo nesse setor, ganhando espaço internacionalmente e competindo com empresas americanas e europeias. Algumas empresas nacionais já estão presentes em território estrangeiro.
Leia abaixo parte da reportagem tirada do site da Revista Época Negócios. A reportagem completa está disponível na edição de agosto, já a venda nas bancas.
O Brasil ficou pequeno (trecho)
Houve um tempo em que as empresas de tecnologia só podiam sobreviver com reserva de mercado. Agora elas estão indo competir com as estrangeiras lá fora
Pergunto a Marco Stefanini, um ex-geólogo e ex-analista de sistemas, por que ele decidiu criar uma empresa global. O empresário faz uma breve pausa, leva o indicador direito ao cocuruto ligeiramente grisalho (trata-se de um homem de 50 anos), coça e diz: “Bem, eu gosto de viajar”. Gosta de viajar? Caramba. A Stefanini IT Solutions, uma prestadora de serviços na área de tecnologia da informação, está presente nos Estados Unidos (Fort Lauderdale, Atlanta, Nova York, Chicago, Davenport e Detroit), no Reino Unido (Londres, Bracknell, Brentwood e Solihull), no Canadá (Toronto e Montreal), na Romênia (Bucareste, Galati e Sibiu), na Polônia (Varsóvia e Cracóvia), na China (Xangai e Nanjing), na Índia, em Angola, na Alemanha... Melhor resumir: são 28 países, em muitos deles com mais de uma filial. Haja disposição para o turismo.
A versão Stefanini do mapa-múndi não impressiona apenas pela capilaridade. Produz uma coleção de números de tirar o fôlego. O exterior é a fonte de 36% do faturamento (R$ 1 bilhão em 2010) e 37% dos funcionários da empresa. Esses são índices semelhantes aos percebidos em gigantes internacionais como Vale, Petrobras, Gerdau e Odebrecht. Há mais. Ela é a companhia nacional com maior percentual de ativos fora do país (67,7%).
Com essas credenciais, assumiu, no início de julho, o posto de vedete entre as multinacionais brasileiras. Saltou da 17ª para a segunda posição no ranking de companhias transnacionais com sede no Brasil. A lista é elaborada pela Fundação Dom Cabral, um centro de pesquisas corporativas de Belo Horizonte. De acordo com o estudo, a empresa apresentou a maior taxa de crescimento fora do país, entre quase 50 firmas consultadas. Avançou 223%. A média nacional? 12,9%.
O desempenho da Stefanini está inserido em um movimento maior. Um grupo substancial de empresários brasileiros voltou a investir em operações fora do país. O fenômeno foi detectado pelo Banco Central. O investimento brasileiro direto no exterior, principal termômetro da internacionalização das empresas nacionais, vinha caindo desde o fim de 2008 (quando eclodiu a crise americana). Alcançou US$ 11 bilhões em 2010. Foi o terceiro maior aporte de recursos fora do Brasil desde 1994.
Os especialistas analisam a retomada de vários ângulos. A conjuntura é propícia para abrir negócios em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a economia já não patina tão feio (pelo menos até o fechamento desta edição). Em contrapartida, o preço das empresas e outros ativos (escritórios e contratos) mantém-se convidativo. O real valorizado é outro fator a aumentar o poder de compra das companhias brasileiras. Há, porém, outra explicação: para algumas empresas, o Brasil ficou pequeno.
Segue na edição de agosto/2011